POEMAS


ronaldsperling@hotmail.com


releitura concretista de poemas do livro 'Signo X' de Denise Windder

Somente Eu

A alma guardada
Lágrimas ressecadas
Relutam em formas diferentes
Acordar, acordar... morrer
Quem dera poder
Sentir o corpo arder
No mesmo diapasão
Em que ressoa
O embalo do sentir
Que eu,
Somente eu



Corpos

Corpos passam
Corpos alheios
Corpos desejo



Corpos II

Corpo tormento
Corpo frio onde me recolho
Corpo, apenas um meu corpo




Corpos III

Encanto de corpos
Sonhar corpos
Fingir corpos



Aurora

A luz do sol se vai
O escuro exterior
Se mescla com o escuro interior
Do meu sol
Que eclipsado
Não ilumina, não mostra seu brilho
Brilho que bem conheço
Eterno e sensível
Aurora de uma vida
Muda, ferida
Neste corpo
Envoltura carnal declarado




Fantasia

Momentos
O peito se manifesta
A pressão aumenta
Os olhos marejam
O corpo esquenta em solidão
Quase sendo, sonhando
Quem se deseja
Necessita
Fantasia por cima de outra fantasia
Desconforto
A verdade quer sair, se mostrar por inteira
O corpo não suporta
Corpo fantasia
Tão perfeito não duvida
Não permite ver o Um que dá vida
Que morre sempre um pouco
Na teatralidade vivente
Da personagem não principal




Baile no Teatro da Vida

No sofá puído de tempo
Recostado meio torto
Como sempre
Pelos caminhos em que viveu
Passou, recorda e nada ficou
Agora músicas
Juventude irresponsável
Colorida como água de enxurrada
Verte pelos olhos presentes
Presentes tempos não mostram
E nem representam o que se constela
Em uma imaginação fugidia
Seguia apenas envolta em fantasia
Que de tão real vida
Fez-se mortalha
Para uma alma que pode
Somente olhar para fora do corpo
Masmorra



Aberturas

Aberturas
Das paredes que encastelam
E impedem aflorar
Imagens passam
O olhar acompanha
Querer inexistente
Líquidos se agitam
O nível sobe rompantemente
As alturas são vencidas
As aberturas vertem
Ao menos gotas libertas da masmorra
Mensagens
Lágrimas que levam
Como garrafas a deriva
Em um mar sem fim
Sem ilhas, sem terras
Onde aportar
Sozinha a sonhar






Reflexo

No espelho
Dentro das órbitas dos olhos
A menina
Em suplicante olhar
Por uma saída
Para viver o mundo
Que assiste passar
Ante as lentes baças
Pelo pensar
Soluçar




Noites Escuras

Mesmo o brilho do luar
Não consegue iluminar
As noites escuras
Em que me encontro
Quero a liberdade
Mas não conheço a saída
Que de mim mesmo sai
Estúpida condenada
Infame viver
Inevitável covardia
Quem entende
Nem os demônios invejam
Meu horizonte
Ainda é madrugada...



Espelho

Engano ancestral
Minha dor enorme
Em silêncio cantado tornar
Cântigo ensanguentado
Cortante como gelo
Horror refletido no espelho
Oh! Miséria!
Observo enquanto meu coração 
Nega a imagem
A imagem sepulcral
De uma alma
A minha alma




Sonhos que Flutuam

A emoção final acontecerá
Em tempo de sorrir
Ou mostrar dentes
Rotos de cravar
Em sonhos que flutuam
Além do alcance
Relampejando
Acenos de possibilidades
Que se concretizarão
Em um nunca
Ou quem sabe não jamais
Aconte - ser


Interior

Transparência de raio de luar
Natural luz em estrelas
Que  brilham
Pontilhando a silhueta
Perfil iluminado
Signo X



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